O
gato saboreia macarons de doce de leite ou de amora enquanto a música é
degustada vagarosamente durante a hesitante escolha das propriedades afetivas.
Je ne sais pas – repete o gato após experimentar a nostalgia das músicas sem
prazo de validade.
_ O
amor tem curto prazo de validade. – diz a coruja.
E
ninguém responde. Nem as gatas apaixonadas pela lua, nem o gato que saboreia os
macarons, nem os uivos distantes de labrador enfastiado e nem as babuskas que
se beijam no canto mais isolado. Ninguém nem sequer olha a coruja – exceto os
pinguins acalorados que querem mergulhar em uma banheira cheia de gelo e
perfumes afrodisíacos.
_ O
amor é eterno quando termina. Mas nem tudo que termina é amor. – a coruja fala
distraída enquanto beberica uma Perrier.
Mas
ninguém ouve a coruja, ela nunca eleva a voz. Os pinguins se encaminham para o
banheiro com um balde de gelo para encher a banheira. E as babuskas trocam
declarações de amor sem palavras enquanto a lua suspira entediada com a falta
de tato da pobre humanidade corrompida por estratégias de marketing.
Liz
Christine

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