sábado, 21 de dezembro de 2019

La dolcezza La libertà I libri



      La dolcezza La libertà I libri

A gata persa que mora nas redondezas ouviu falar de um gato que se chamava Mourka. E havia também um livro antigo sobre o gato Mourka.

Sócrates sonhou que iria publicar um livro e depois outro livro, e depois um terceiro só de poemas, e depois iria conhecer Roma com suas tutoras e sua irmã Colette. Sócrates ouviu falar que deveria chamar suas provedoras (de rações, patês e mimos, e tudo o mais) de tutoras. Sócrates pediu nozes e lhe deram patê para gatos. Ele reclamou que adorava nozes e queria nozes, mas então lhe acariciaram e o chamaram de “o meu docinho mais querido”.

     La dolcezza La libertà I libri

          Buone Feste!

Liz Christine

domingo, 8 de dezembro de 2019

Red is the rose / Premier Mai



Ela cortou meus pensamentos. Eu estava quieta, sentada na grama, lendo um livro, quando ela chegou e me disse que Pirandello havia dito novamente que deveríamos todos estar em silêncio.

Meu sonho disse "buongiorno", eu respondi "buona giornata, mon lapin, ma lapine, ma chérie, mon chaton" - meu sonho perguntou "c'est avant ou après le verbe?", eu respondi "c'est féminin, oui, et toi? ça va?" e nós então suspiramos ouvindo as estrelas que sobrevoavam ao redor das xícaras de café.

Banhos meticulosos. Concentração em pequenos detalhes. A gata olha ao redor distraidamente e fecha as cortinas. O dia está parcialmente nublado. Há um pouco de vento. As pétalas das flores dizem que estamos em Maio. É o meu mês. É a minha casa. É o ronronar da gata que se espreguiça sobre a almofada.

    "Clear is the water that flows from the Boyne
                  But my love is fairer than any"

A babuska me ofereceu um pote de mel. Aceitei e agradeci. Eu me sentei novamente na grama, reencontrei meus pensamentos em duas páginas, coloquei os fones de ouvido e Pirandello disse: "Cante!". Respondi: "Não sei cantar...". Pamina miou e Sócrates acordou. As pétalas das flores disseram que estamos em Maio. Eu sorri e fechei o livro.

      "Red is the rose that in yonder garden grows
                    Fair is the lily of the valley"

                ("Tu aimes la musique irlandaise?" "Oui, et toi?")

Liz Christine

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Le chat et moi



Ce sont les mots du chat.

Il n'y a que des cerises. Il n'y a que des silences. Il n'y a que des rêves. Il n'y a que toi dans mes rêves. Il n'y a que ma pâtée du soir. Il n'y a plus de doutes.

C'est vrai? Ce n'est pas vrai. C'est une poésie.

C'est une poésie? Ce n'est pas une poésie. Moi, je pourrais l'écrire mieux.

Ce sont les mots que j'ai écouté.

Quand? Je ne sais pas. Mais j'ai besoin des rêves. J'ai envie des fraises. J'en ai envie aujourd'hui.

Il n'y a que toi dans mes rêves. J'ai rêvé que le chat disait doucement les mots d'un livre. Un livre qui ne finissait pas. Et je revenais au début. Nous sommes indécis. Le chat et moi.

Liz Christine

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Vírgula



Bloqueio de palavras Sentidos despertos Poesia submersa Imersa em sentidos Mergulhada em silêncios Viens ici Viens tous les jours Bonjour mon rêve

Vírgula

Abra parênteses para explicar o silêncio

Jamais o explicaremos

Feche os parênteses

Uma outra raposa estuda para ser psiquiatra e brinca de ser chef de cozinha em casa nas horas vagas. O gato é um poeta que não ganha dinheiro algum mas recebe tudo que desejar em seu ambiente afetivamente preenchido porém isolado do resto do planeta ao redor. As gatas siamesas igualmente não estão interessadas no pequeno planeta ao qual chamam "aspas". E o mundo chega através da janela. Rede de proteção. E a música circula entre um sonho e outro silêncio parcialmente recheado. Recheado com morangos. Café e chocolate. Água mineral. Uma vírgula.

- "Para que serve escrever?" - "Para nada, absolutamente nada..." - "Escrever muda alguma coisa?" - "Que eu saiba, não..." - "Ler muda alguém?" - "Pergunte a quem lê..." -

Não perguntarei. Não afirmarei. Não questionarei. Não aceitarei. Não negarei.

Esperemos.

Esperemos o quê?

(A Lua clarear as idéias.)

Liz Christine



terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Indefinidamente sempre



Não, não consigo. As palavras nada expressam. As palavras nada descrevem. As palavras nada dizem. Das sensações indomáveis que florescem em dúzias de camélias. Repetir. Repetir o refrão daquela música. Mas isto já foi dito. Isto já foi escrito. Mas isto já foi sonhado mil e cinco vezes. Mas jamais foi feito - por quem? Por que escreves? Não sei. Por que sonhas? Não sei. O que sabes? Nada sei. Quase nada sei das realidades que se completam ou se anulam umas às outras. Nada faz tanto sentido assim. Inspirar. Respirar. Descrever? Não. Escrever? Não sei. As palavras quase nada dizem. Das sensações indomáveis inspiradas sob este teto. O céu habita o silêncio. A lua dita poemas inéditos que jamais serão compartilhados. Guarde o silêncio. Guarde os poemas para si. Por quê? Porque o céu habita o silêncio. Mas fique. Ao meu lado. Indefinidamente sempre. Indefinidamente tua.

Liz Christine

Dia das Mães