terça-feira, 24 de dezembro de 2019
sábado, 21 de dezembro de 2019
La dolcezza La libertà I libri
La dolcezza La libertà I libri
A gata persa que mora nas redondezas ouviu falar de um
gato que se chamava Mourka. E havia também um livro antigo sobre o gato Mourka.
Sócrates sonhou que iria publicar um livro e depois
outro livro, e depois um terceiro só de poemas, e depois iria conhecer Roma com
suas tutoras e sua irmã Colette. Sócrates ouviu falar que deveria chamar suas
provedoras (de rações, patês e mimos, e tudo o mais) de tutoras. Sócrates pediu
nozes e lhe deram patê para gatos. Ele reclamou que adorava nozes e queria
nozes, mas então lhe acariciaram e o chamaram de “o meu docinho mais querido”.
La dolcezza
La libertà I libri
Buone Feste!
Liz Christine
domingo, 8 de dezembro de 2019
Red is the rose / Premier Mai
Ela
cortou meus pensamentos. Eu estava quieta, sentada na grama, lendo um livro,
quando ela chegou e me disse que Pirandello havia dito novamente que deveríamos
todos estar em silêncio.
Meu
sonho disse "buongiorno",
eu respondi "buona giornata, mon lapin, ma lapine, ma chérie, mon chaton" - meu sonho perguntou
"c'est avant ou après le verbe?",
eu respondi "c'est féminin, oui, et
toi? ça va?" e nós então
suspiramos ouvindo as estrelas que sobrevoavam ao redor das xícaras de café.
Banhos
meticulosos. Concentração em pequenos detalhes. A gata olha ao redor
distraidamente e fecha as cortinas. O dia está parcialmente nublado. Há um
pouco de vento. As pétalas das flores dizem que estamos em Maio. É o meu mês. É
a minha casa. É o ronronar da gata que se espreguiça sobre a almofada.
"Clear is the water that
flows from the Boyne
But my love is fairer than any"
A
babuska me ofereceu um pote de mel. Aceitei e agradeci. Eu me sentei novamente
na grama, reencontrei meus pensamentos em duas páginas, coloquei os fones de
ouvido e Pirandello disse: "Cante!". Respondi: "Não sei
cantar...". Pamina miou e Sócrates acordou. As pétalas das flores disseram
que estamos em Maio. Eu sorri
e fechei o livro.
"Red
is the rose that in yonder garden grows
Fair is the lily of the valley"
("Tu aimes la musique irlandaise?" "Oui, et toi?")
Liz Christine
sexta-feira, 6 de dezembro de 2019
Le chat et moi
Ce sont les mots
du chat.
Il
n'y a que des cerises. Il n'y a que des silences. Il n'y a que des rêves. Il
n'y a que toi dans mes rêves. Il n'y a que ma pâtée du soir. Il n'y a plus de doutes.
C'est vrai? Ce
n'est pas vrai. C'est une poésie.
C'est une poésie?
Ce n'est pas une poésie. Moi, je pourrais l'écrire mieux.
Ce
sont les mots que j'ai écouté.
Quand?
Je ne sais pas. Mais j'ai besoin des rêves. J'ai envie des fraises. J'en ai
envie aujourd'hui.
Il
n'y a que toi dans mes rêves. J'ai
rêvé que le chat disait doucement les mots d'un livre. Un livre qui ne finissait pas.
Et je revenais au début. Nous
sommes indécis. Le chat et moi.
Liz Christine
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
Vírgula
Bloqueio
de palavras Sentidos despertos Poesia submersa Imersa em sentidos Mergulhada em
silêncios Viens ici Viens tous les jours
Bonjour mon rêve
Vírgula
Abra
parênteses para explicar o silêncio
Jamais
o explicaremos
Feche
os parênteses
Uma
outra raposa estuda para ser psiquiatra e brinca de ser chef de cozinha em casa
nas horas vagas. O gato é um poeta que não ganha dinheiro algum mas recebe tudo
que desejar em seu ambiente afetivamente preenchido porém isolado do resto do
planeta ao redor. As gatas siamesas igualmente não estão interessadas no
pequeno planeta ao qual chamam "aspas". E o mundo chega através da
janela. Rede de proteção. E a música circula entre um sonho e outro silêncio
parcialmente recheado. Recheado com morangos. Café e chocolate. Água mineral.
Uma vírgula.
-
"Para que serve escrever?" - "Para nada, absolutamente
nada..." - "Escrever muda alguma coisa?" - "Que eu saiba,
não..." - "Ler muda alguém?" - "Pergunte a quem lê..."
-
Não
perguntarei. Não afirmarei. Não questionarei. Não aceitarei. Não negarei.
Esperemos.
Esperemos
o quê?
(A
Lua clarear as idéias.)
Liz
Christine
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
Indefinidamente sempre
Não,
não consigo. As palavras nada expressam. As palavras nada descrevem. As
palavras nada dizem. Das sensações indomáveis que florescem em dúzias de
camélias. Repetir. Repetir o refrão daquela música. Mas isto já foi dito. Isto
já foi escrito. Mas isto já foi sonhado mil e cinco vezes. Mas jamais foi feito
- por quem? Por que escreves? Não sei. Por que sonhas? Não sei. O que sabes?
Nada sei. Quase nada sei das realidades que se completam ou se anulam umas às
outras. Nada faz tanto sentido assim. Inspirar. Respirar. Descrever? Não.
Escrever? Não sei. As palavras quase nada dizem. Das sensações indomáveis
inspiradas sob este teto. O céu habita o silêncio. A lua dita poemas inéditos
que jamais serão compartilhados. Guarde o silêncio. Guarde os poemas para si.
Por quê? Porque o céu habita o silêncio. Mas fique. Ao meu lado. Indefinidamente sempre. Indefinidamente
tua.
Liz Christine
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