quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Poema



"Qui est-ce?" (...) "C'est Macha."
"C'est un rêve?" "Oui."

_ Se estás sonhando, cuidado...
_ Por quê?
_ Sonhas demais. Já sonhaste todas as palavras e não escreveste o essencial.
_ Não faço idéia do que seja "o essencial"...
_ Nem precisas saber. Apenas escreva.
_ Escrevo sem saber para quê serve escrever?
_ Sim. Jamais saberás (...).

E então um outro poema me disse que havia uma outra consciência me observando e eu perguntei então o porquê das pontuações e reticências e o outro poema me abraçou e disse "Macha, Macha querida, então usaste as vírgulas, Macha, minha querida Macha, voltaste então ao lar? Revê-la é uma glória e escreverei um poema em ode aos felinos e às espécies todas que tanto amas, e igualmente eu as amo todas, mas não deveria eu usar estes termos ou este verbo preciso, troquemos de verbo, amar não, Macha, é um verbo oculto nas profundezas e raízes dos sonhos, oculto e submerso, apenas sentido, não fales, troque e esconda e o pegue de volta, e novamente, Macha, apenas tu me entendes...". E fez-se silêncio. Fez-se silêncio mas sim, eu consegui, pronunciei uma frase, consegui pronunciá-la, e então usei as vírgulas e pronunciei a frase. Mas não me ouviram, e se ouviram (escutaram em silêncio e a resposta veio então na semana seguinte) e então resolvi usar as reticências...

E Macha perguntou a mim então - "Como vai o Sócrates?" E perguntei de volta "Mas conheces Sócrates?" E abandonei novamente toda e qualquer pontuação e decidimos então escrever um poema para Sócrates e então nasceu outro poema e o poema respirou cantou e fez uma música e a música falava da vida e da cura e da vida e do ato de sonhar e da realidade que aos poucos chega no nosso quintal... mas não temos quintal, Macha querida, imaginemos um quintal pois moramos em um apartamento e levaremos Sócrates para Paris, não é verdade? Diga que sim, Macha. E ela foi-se antes que eu fizesse o café. Mas fiz café e Macha voltou. Macha tem a chave. A chave dos sonhos. E conhece Sócrates, o gato querido. Então acendemos uma vela de mel e suavizamos a luz do quarto. E então não escreveremos a nossa privacidade nem a alheia e enviaremos olá aos felinos das redondezas e deste planeta esquisito onde palavras tentam decifrar o silêncio de Macha. Conhecestes Macha? Façamos mais café (...).

Liz Christine


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Dagda



Dagda nasceu dentro de uma casa (e não nas ruas como outros que, ainda assim, felizmente, são adotados). Era uma ninhada de quatro filhotes, três fêmeas e um macho. A mãe de Dagda era da raça ragdoll, o pai não tinha raça definida mas tinha um belo miado e a típica elegância digna dos felinos. Os filhotes seriam todos doados, exceto um a ser escolhido (que faria companhia à mamãe ragdoll, como dissera a humana da casa). Dagda, que ainda não tinha sido nomeado, queria ser o escolhido (não pela casa nem por causa da humana, mas sim porque queria continuar ao lado da mamãe ragdoll). E então surgiu o primeiro grande problema na vida do pequeno filhote - eis que sua humana escolheu uma das fêmeas para ficar para sempre na casa ao lado da mamãe ragdoll. O pequeno Dagda, que ainda nem tinha nome, seria então adotado por uma outra família ou pessoa qualquer. O filhote primeiramente se sentiu indignado e logo em seguida se sentiu triste e oprimido, e depois verdadeiramente deprimido, e então desenvolveu também uma ligeira mania de perseguição - sempre que ouvia o telefone ou interfone tocarem fugia e se escondia ou dentro do armário (que o filhote, apesar da chave, já sabia como destrancar) ou no banheiro humano (os felinos também têm seu próprio banheiro, como se sabe, mas o filhote corria para o banheiro humano). A humana, sensibilizada com a doçura do filhote e preocupada com seus recentes e precoces problemas psicológicos, resolveu nomeá-lo inspirada em um livro que estava começando a ler - o nome seria Dagda. Ela achou assim que poderia animá-lo mas o pobre Dagda desenvolveu ainda mais uma outra mania: fobia do inocente golden retriever da casa do vizinho. O vizinho tinha também um beagle (por quem Dagda nutria uma sincera amizade e afeição). A humana pensou então que deveria ajudar Dagda a superar todos estes precoces problemas sem nenhum motivo aparente antes de enviá-lo para ser adotado - e foi assim que se passaram cinco anos sublimes para Dagda (que havia nascido em 2011)... pois desta forma Dagda não foi adotado e permaneceu onde sempre quis, além de ganhar as mais deliciosas rações e mimos. A humana decidiu (em três anos de convivência) que cuidaria para sempre de sua pequena família felina involuntária (mamãe ragdoll, Dagda e sua irmã). Dagda acabou tão mimado que já não teme mais nem o interfone nem o telefone nem o  golden retriever do vizinho (...).

Liz Christine

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Lesen



O meu papel, não o dou a ninguém. Il mio ruolo, non lo do a nessuno. Sono la Luna. Sou a Lua. Sozinha e nua. Tremendo de frio. Uma poesia feita de silêncios. Sonhos resguardados. Para si própria. Não tanto sã, mas salva (...). Je suis en train d’écrire un livre. Quem o lerá? Jamais saberei soletrar o infinito pleno de si que vejo a cada despertar de um sonho parcialmente mudo - "mas não falas nunca?", uma estrela me pergunta. Não lhe respondo e a beijo em sonhos.

Um filhote de ursinho polar chorou. Ele era de pelúcia. Então a criança lhe deu um nome e o levou para casa. Hoje ele vive próximo à estante de livros dos adultos. A criança gosta de vê-lo próximo aos livros. Brinca e o guarda novamente. E não esquecerá seu nome quando for adulta. O ursinho se chama Cherubino (...).

Um gato ronrona saboreando o adorável sossego da própria tranquilidade felina.
Ich lese, Du liest, Sie lesen, Wir lesen (...).

(Reticências)

Liz Christine

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Delicato Senses


      
     Il gatto e il mazzo di fiori. Il dodicesimo silenzio e il terzo libro.
Il primo piatto e l'ultimo adieu.  La settimana scorsa avevano detto che non vorrebbero desiderare niente (mai più) -:

E le nuvole hanno scritto nel cielo - ; mai più,,, mai più (-:

Sognare e niente più. Credo di sì, credo di no, non ci credo, non lo so, je ne sais pas, ma questo non vuol dire che sia indispensabile scrivere, cioè non sappiamo raccontare tutti i sogni che vediamo tutti i giorni - capisci?

Io no. Mai. Ma il gatto che si chiama Socrate lo sa. Colette ritiene che Tessala e Fenice si siano un po' innamorate di Socrate ma lui non immagina che Colette pensi così (e di questo non vede niente). Cosa vede Socrate? Greta Garbo e un mazzo di fiori (...).

Il dodicesimo silenzio e il terzo libro. Il primo piatto e salut, comment ça va? Bene, grazie. E tu? A domani. À demain. Ci sentiamo. Le dernier, le premier, il ventesimo silenzio. Un mare profondo dove non vogliamo tuffarci. Tuffiamoci nei nostri sogni affinché siano reali un giorno. O mai. Fiori, fiori... Cosa volete dire?

È meglio che si dimentichino tutte le parole senza senso e che studino il senso delle nuvole. Ciao. A domani. Ci sentiamo.

Liz Christine

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

La mail di Colette



Le due nuove amiche di Socrate si chiamano Tessala e Fenice. Abitano (con la loro famiglia umana) vicino a Greta Garbo. Ma non parlargli di Greta Garbo, perché mi sembra che tutte e due si siano innamorate di Socrate. Socrate, il mio fratellone, vorrebbe imparare lo spagnolo - e mi pare che il mio fratellone voglia imparare tutte le lingue che gli piacciono. Parla benissimo il francese, come me, e lo insegniamo due volte alla settimana alla nostra carissima Greta Garbo.  Abbiamo traslocato (con le nostre padrone) e adesso abitiamo nello stesso condominio dove abita Greta Garbo. Che bello! Ci vediamo e ci sentiamo tutti i giorni. La vita, per noi gatti, è così bella e piacevole - sopratutto quando abbiamo tutto quello che possiamo desiderare e sognare. Che pace! Cibo buonissimo, acqua fresca tutti i giorni, giochi, essere coccolati, leggere, scrivere tra noi, sognare, fare il bagno, studiare  le abitudini degli umani e matrioske, una meraviglia di vita. In realtà, siamo allo stesso tempo gli psicologi e la gioia dei nostri padroni o padrone - e anche la loro ispirazione e i loro angeli custodi. Mi piacerebbe raccontarvi  di  più del nostro trasloco ma adesso ho  sonno. Vado da Greta Garbo domani. E basta.

(...)

Liz Christine

Dia das Mães